cri-cri

Isso aqui tá tão paradinho….

NOTAS PARA UMA ESTÁTUA.

O nariz. Afilado. É certo que não é somente folheado em mármore. A pequena camada de luz refletida contorna o dorso e a ponta delgada. É a primeira reticências. Um nariz formado de pontos infinitos e dispostos em enorme proximidade, dando em uma linha homogênea, definida, alinhada, e levemente curvilínea para o alto. E assim seus pontos não paravam, seguiam em direção ao mundo de mármore e de tempo. Um continuum que se mesclava às luzes pontuais do ambiente.
O dedo anelar. Tem dona! O tipo de detalhe em que as reticências suprimem todo o reticente…. Mas pouco me  importa, são só notas para uma estátua. Continuo meu passeio.
A boca. Pequena. Arqueada; não feminina, apesar das primeiras impressões contrárias. Boca de um romantismo quase lúdico; tímido; cordial. Leve, remetendo à lichia. Um homem tranquilo que não tem medo de demonstrar que é emotivo. Homem provavelmente de dentes pequenos; fiéis; dóceis; infantilizados, mas sem deixar de ser o típico homem cheio de virilidade que precisa se fazer marido; e muitas vezes intimidador em suas reticências reticentes.
Os olhos. Grandes e aproximados; em um brilho de sono. Observadores e naturalmente pacíficos, apesar de começar a me olhar em desconfiança. Outras reticências; reticências internas: desconfiança, fuga, desconforto… Um aglomerado de pontos circulares que não cessavam de percorrer em leveza, apontando para o interior. Reticências: pupila, íris, desenho circular. A íris negra, densa, concisa, e irritantemente penetrante ao se fixar em qualquer objeto. E eram em vários objetos, todos em concordância com os olhos, nariz e boca. Todos três pontos em uma reticência uníssona; formadora de um mundo a parte e que se propagava ao exterior. Um aglomerado do todo em reticências…

PENSAMENTOS – SOBRE FEUDALYS.

Não sei mais do que se trata este blog.

Rascunhos, ‘papel’ passado ou até mesmo quase lavrado em tons documentais, ficção sentimental, impulsos emocionais, carência narrativa ou somente sonhos, histórias cochichadas, fluxos impressionistas, medos da expressão, palavras por palavras ou frenesi infantil de se criar coisas, efeito Peixe Grande, ou somente um zietgeist de uma juventude que vive na pluralidade. Mas isso não seria somente o pós-modernismo? Lógico que é. Zeitgeist. Zeitgeist misturado às coisas dificilmente originais.

O mundo se volta novamente para o micro. A liberdade interior. A consequência primeira da entrada ao modernismo. Fragmentamos e agora resta-nos selecionar aquilo que realmente nos importa. O mundo plural tem o poder solapador a priori, e  aquele movimento de retorno, por vezes, é bem doloroso.

Sobre o que é este blog? Ele existe há 3 anos e lá vai pedrinhas. 3 anos que me pareceram uns 10.

Nos últimos dias (16) estive em viagem. Envelheci mais alguns anos. Normal para quem tem 22 anos. Nessas fases as coisas ainda estão em turbulência. Ou sou eu mesma que tenho fome da reconstrução constante.

Digredida estas coisas, tenho a dizer que este blog é ainda Feudalys. Uma tentativa do retorno ao prazer infantil da criação. Os prazeres primeiros dos olhares ainda a descobrirem o mundo. É difícil manter este espírito depois de tanta pluralidade. Feudalys, o livro, anda parado uns 2 meses. Hora de voltar a ele.

Próximo capítulo: Barcos piratas. Djin criará  a partir de um graveto e uma folha um gigantesco e rangente  navio pirata.

É uma coisa meio Amélie Poulain misturado a uma tentativa  um pouco Pollyanna de ver a vida, misturado a um mundo capitalista moderno em que os valores estão sendo desmoronados, e os sonhos descreditados. Ruínas e sonhos; tempo e espaço; memória e imaginação; dores e frenesi.

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