GESTOS E TECIDOS. (Título porvisório)

A peça começa com um palco descoberto. Dia de ensaio. Nos cantos há os tecidos amarronzados com o tempo, tecidos pesados e mal interpretados. Fios de simples texturas, nada caro. Nada que venha a valer uma passada detalhada com as mãos.
Mas eles são bonitos! Diria a pequena atriz que fingia estar ensaiando. Era ela quem os achara, e, com alegria ingênua os pôs por sobre as cadeiras do cenário e no fundo, dependurados como acortinados. O vestido de chita lhe delineava a forma infantil e os pés eram trazidos descalços. Suas sandálias estavam no limite do palco.
As peças de tecidos eram trazidos sempre naquela hora. À surdina.
O palco era deserto naquela hora. Hora de sono. Hora em que as velas das casas estavam apagadas sobrando apenas o iluminar da cidade para os diversos lampiões espalhados e a lua, que era cheia. Cheia de primeiro dia de cheia. Cheia como os espelhos que direcionam a luz do sol nas lindas apresentações de dias festivos. Não precisava do sol. Os olhos já haviam se acostumado.
No chão fez caminhos de tecidos. Até o centro onde se posicionava.
A lua se fez sol. A menina se viu iluminada. Os contrastes criados na floresta ofertavam a sensação de platéia, tão conformada com seus anseios…
Posicionou-se no centro. Os textos eram sempre retirados na repentina, sempre após um dia de vislumbre com os ensaios do grupo central. Repetidos quando necessários e interpretados quando desejava que assim o fossem. Mas neste dia queria dizer coisas diferentes à platéia. Um soneto… Um soneto silencioso de gestos e olhares sobre o luar. De interpretações novas que ainda nem sabia.  Ou uma valsa…