O nariz. Afilado. É certo que não é somente folheado em mármore. A pequena camada de luz refletida contorna o dorso e a ponta delgada. É a primeira reticências. Um nariz formado de pontos infinitos e dispostos em enorme proximidade, dando em uma linha homogênea, definida, alinhada, e levemente curvilínea para o alto. E assim seus pontos não paravam, seguiam em direção ao mundo de mármore e de tempo. Um continuum que se mesclava às luzes pontuais do ambiente.
O dedo anelar. Tem dona! O tipo de detalhe em que as reticências suprimem todo o reticente…. Mas pouco me importa, são só notas para uma estátua. Continuo meu passeio.
A boca. Pequena. Arqueada; não feminina, apesar das primeiras impressões contrárias. Boca de um romantismo quase lúdico; tímido; cordial. Leve, remetendo à lichia. Um homem tranquilo que não tem medo de demonstrar que é emotivo. Homem provavelmente de dentes pequenos; fiéis; dóceis; infantilizados, mas sem deixar de ser o típico homem cheio de virilidade que precisa se fazer marido; e muitas vezes intimidador em suas reticências reticentes.
Os olhos. Grandes e aproximados; em um brilho de sono. Observadores e naturalmente pacíficos, apesar de começar a me olhar em desconfiança. Outras reticências; reticências internas: desconfiança, fuga, desconforto… Um aglomerado de pontos circulares que não cessavam de percorrer em leveza, apontando para o interior. Reticências: pupila, íris, desenho circular. A íris negra, densa, concisa, e irritantemente penetrante ao se fixar em qualquer objeto. E eram em vários objetos, todos em concordância com os olhos, nariz e boca. Todos três pontos em uma reticência uníssona; formadora de um mundo a parte e que se propagava ao exterior. Um aglomerado do todo em reticências…
NOTAS PARA UMA ESTÁTUA.
Quarta-feira, 24 Novembro, 2010 às 12:16 AM (LETRINHAS, Reflexões)